segunda-feira, 25 de maio de 2009
domingo, 24 de maio de 2009
Contra um jornalismo repugnante

A ENTREVISTA de Manuela Moura Guedes a Marinho Pinto, na TVI, terá sido «empolgante», mas o jornalismo «tablóide» que ela pratica, sem vergonha, é repugnante. Hesito mesmo em considerá-lo jornalismo.
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Por muito imprudente e excessivo que seja o actual Bastonário da Ordem dos Advogados – prejudicando, por vezes, a justeza das suas afirmações e a bondade dos seus propósitos – a verdade é que ele deu provas de uma extraordinária coragem, ao denunciar em directo, cara a cara e sem papas na língua, o verdadeiro escândalo que são as sessões de propaganda política, desonesta e canalha, levadas a cabo, às sextas-feiras, pela mulher do Director-Geral da TVI, Manuela Moura Guedes, que não faz outra coisa que não seja desonrar a profissão.
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Além de indigno, o espectáculo que esta senhora proporciona semanalmente é aflitivo, patético e inestético. E descredibiliza as próprias reportagens que o sustentam. É verdade que já uma vez o Miguel Sousa Tavares a tinha criticado e recriminado em directo. Mas ninguém, até agora, tinha sido capaz de a pôr na ordem, por indecente e má figura.
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Esta lamentável e ridícula senhora não se respeita nem se dá ao respeito. Há muito que devia ter sido chamada à pedra, por violação continuada das mais elementares regras deontológicas da profissão. O problema é que quase todos os jornalistas têm medo e já poucos se prezam, numa profissão cada vez mais condicionada pelo poder económico que a domina e controla. A liberdade de informação é uma treta quando pessoas como Manuela Moura Guedes sentem as costas quentes para fazerem o que ela faz, abusando escandalosamente do poder e do púlpito que lhe concedem num canal de televisão privado.
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O rei vai nu (ou, se preferirem, a rainha). Mas se, depois desta corajosa denúncia, tudo continuar na mesma, então é de recear que o pluralismo e a liberdade de informação estejam em perigo.
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Alfredo Barroso
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domingo, maio 24, 2009
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segunda-feira, 20 de abril de 2009
«Pilha-galinhas» e «Pilha-milhões»
Não espanta a diferença, numa sociedade em que os próprios indicadores oficiais mostram que as desigualdades sociais aumentaram na última década, e em que a justiça se arrasta com a lentidão de um «D. Elvira» no Rally das Camélias quando se trata de julgar os ricos e os poderosos que, por azar, chegam a tribunal. Pois pudera!
Quando constatamos que se cava cada vez mais fundo o fosso que separa ricos e pobres, ao mesmo tempo que se alarga a enorme distância entre o poder e os cidadãos, o que espanta é que tudo isto aconteça numa sociedade governada, rotativamente, há três décadas, ora por pretensos socialistas ora por pretensos social-democratas.
Como dizia Camilo: «Falta-nos a virtude e a moral; falta-nos o respeito à lei, e a lei que deva respeitar-se; falta-nos esse quase nada que faz dum povo de traficantes e de corruptos uma sociedade de irmãos e de amigos». «Esta frioleira dispensa-se», acrescentava ele, referindo-se a roubos, desaforos, prepotências e «outras bagatelas que desaparecem debaixo dos alicerces dum pomposo caminho-de-ferro». Bruxo!
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Alfredo Barroso
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segunda-feira, abril 20, 2009
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quinta-feira, 16 de abril de 2009
O Milagre Segundo Evaristo
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A PRETEXTO DA CRISE, já toda a gente dá de barato qualquer milagre que a Santa Madre Igreja lhe queira impingir. Ninguém protesta, ninguém se escandaliza, mesmo quando é óbvio que ali há falcatrua. Tal é a resignação que nos consome.-
Todavia, o milagre que aconteceu a Dª. Guilhermina de Jesus em Ourém, por via do qual D. Nuno Álvares Pereira passará a ser santo, até podia ser um excelente pretexto para elaborar uma versão lusitana do Miguel Strogoff de Júlio Verne, se alguma das nossas estrelas da literatura light pegasse no assunto e o transformasse num best seller de vão de escada, copiosamente besuntado de óleo de fritar peixe.
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É verdade que o assunto é excessivamente prosaico. A imagem de óleo a ferver a saltar numa frigideira de fritar peixe e que salpica um olho de Dª. Guilhermina de Jesus, não encoraja os nossos génios da literatura pop a colaborar na edificação de uma tão grande falcatrua. Ainda por cima, consta que o filho da miraculada, Carlos Evaristo de seu nome, detém o exclusivo da história. Foi a ele que Dª Guilhermina comunicou o milagre em primeira mão, depois de ter ligado a televisão para confirmar se aquele olho porventura também já conseguiria ver as telenovelas da TVI. «O meu santo curou-me» - exclamou ela. E Carlos Evaristo chamou-lhe um figo. Era dele o exclusivo. E passou a ser ele a contar a história do milagre, em nome de sua mãe.
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O santo, como já bem sabemos, é o nosso Condestável D. Nuno Álvares Pereira, cujo espectro terá sido incomodado na noite de 7 para 8 de Dezembro de 2000 (o ano da beatificação dos pastorinhos, já repararam?!) por Dª. Guilhermina de Jesus, que o terá desafiado a demonstrar que era muito mais competente do que qualquer oftalmologista lusitano. E o espectro não se fez rogado, curando Dª. Guilhermina num abrir e fechar de olhos (talvez a inversa seja mais verdadeira, neste caso).
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Convém esclarecer que isto de milagres é como as bolhas especulativas na alta finança, que levam o seu tempo a inchar até rebentarem com grande estrondo nos bolsos dos cidadãos e, sobretudo, nos balcões do BPN e do BPP.
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Note-se que só agora, nove anos depois do pretenso milagre que curou um olho de Dª. Guilhermina na noite de Ourém, é que a bolha canónica, que então se formou e começou a inchar, finalmente rebentou, qual gigantesco salpico de óleo de fritar peixe, na cabeça de milhares de crentes. Com manifesta vantagem para a Santa Madre Igreja, para a Pátria e para a República, dado que o Presidente Cavaco Silva não hesitou em conceder o aval do Estado à canonização (tal como o Governo não hesitou em conceder o aval do Estado ao BPN e ao BPP).
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Em suma, tendo em conta que D. Nuno Álvares Pereira se finou no século XV, bem se poderá dizer que, do alto de uma frigideira com óleo a ferver, quase seis séculos de História pátria contemplam Dª. Guilhermina de Jesus, a miraculada que já tem garantido nos manuais escolares uma nota de rodapé tão grande como um salpico de óleo.
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Este é o milagre segundo Evaristo, e eu pergunto: há alguma seriedade nisto?
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Alfredo Barroso
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quinta-feira, abril 16, 2009
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terça-feira, 14 de abril de 2009
Beatificações e canonizações
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Este piedoso capítulo da nossa história sacra, que suscita a beatitude republicana do Presidente Cavaco Silva, vem acrescentar-se a outro piedoso capítulo ocorrido há nove anos, com a beatificação dos pastorinhos de Fátima, que também mereceu o beatíssimo apoio do então Presidente da República, Jorge Sampaio, e do então Primeiro-Ministro, António Guterres.
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É, por isso, excelente o pretexto para convidar os leitores a repassarem os olhos por três crónicas escritas e publicadas no semanário EXPRESSO, no ano 2000, a propósito da beatificação dos pastorinhos de Fátima, a que ficou indelevelmente associada essa famosa dupla cor-de-rosa Sampaio-Guterres, orgulho de um socialismo piedoso e beato, a derrapar na «terceira via».
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Face a tais beatitudes, que constituem piedosos precedentes, é bastante difícil que alguém se atreva, nove anos depois, a lançar um salpico de óleo que seja sobre a beatitude do Presidente Cavaco Silva, sobretudo se D. Nuno de Santa Maria estiver alerta. É que Deus não dorme, o Condestável também não e, que se saiba, os pastorinhos de Fátima nunca fritaram peixe…
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14 de Abril de 2009
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Fátima - seus videntes e seus milagres - é seguramente um daqueles domínios em que a pátria lusitana e alguns dos seus filhos continuam a demonstrar «uma criatividade assinalável e em muitos planos excepcional». Os pastorinhos viram o que EPC não viu. O «forte aroma mariano» que impregna as «aparições» de 1917 (mais de meia dúzia) rescende como o caldo de Tormes descrito pelo Eça em «A Cidade e as Serras». Que digo eu? Ainda é mais forte e aromático! A visão do Inferno, que Nossa Senhora terá revelado às pobres criancinhas, decalcada nessa espécie de catecismo que era a «Missão Abreviada», nada terá ficado a dever à obra-prima de Dante, embora seja mais prosaica. As «Memórias» da Irmã Lúcia, escritas com «obediência» e alguma «repugnância», cerca de três décadas depois das «aparições», fazem inveja ao melhor estilo de Camilo («A Freira no Subterrâneo»), ainda que tenha entrado um bispo na sopa cozinhada pelo cardeal Cerejeira e pelo Estado Novo.
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Mais criativo foi, porém, o «milagre» protagonizado por Maria Emília Santos - a que se levantou e andou depois de 20 anos sem se mexer - com base no qual se tornou possível a tão desejada beatificação dos pastorinhos. Para ele contribuíram decisivamente, não só o genuíno testemunho da «miraculada», mas também a desenvoltura de um tal padre Kondor, a erudição canónica do cardeal Ratzinger e a solicitude de uma família de felizardos - os médicos Felizardo Santos e Fernanda Brum, por acaso casados e especialistas em Medicina Interna - e, ainda, uma jovem recém-formada, por acaso filha dos médicos supracitados e especialista em Psiquiatria. Ao que parece, o «relatório» dos médicos Felizardo e Fernanda, ambos católicos e «servitas» no Santuário de Fátima, terá sido elaborado em tempo «record» - e o processo de beatificação terá ignorado (ou contornado) a legislação canónica, nomeadamente, o «Manual para Instruir os Processos de Canonização». Diz-se, até, que o testemunho da «miraculada» é um poço de contradições, confirmadas pelos seus irmãos e por um médico psiquiatra que a tratou e a pôs a andar muito antes do «milagre». Pelo menos foi isso que revelou o «Expresso» em 31 de Julho de 1999, numa notável investigação jornalística levada a cabo por Graça Rosendo e Mário Robalo, intitulada «Milagre com pés de barro». Mas isso que importa se, como é sabido, o Papa João Paulo II «sempre desejou este milagre»?!
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Em devido tempo, Frei Bento Domingues afirmou: «Conseguiu-se fazer de Fátima o maior concentrado do mau gosto do imaginário católico que alguma vez já se tinha feito por aqui. E que continua, impunemente, em expansão enorme. Não são só variações do mesmo mas o mesmo sem variações. Quer dizer: o que se conseguiu em Fátima é uma aflição, uma espécie de horror, de campo de concentração do horror religioso, um inferno de mau gosto. O que, a meu ver, é muito grave». Tal como é e, pelos vistos, vai continuar a ser, Fátima é uma impostura e um negócio de milhões. Reclama a expulsão dos vendilhões e a purificação do templo. S. Lucas lembra que Jesus, «entrando no templo, começou a expulsar todos os que nele vendiam e compravam, dizendo-lhes: está escrito: a minha casa é casa de oração; mas vós fizestes dela covil de salteadores»!
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Além de republicano, socialista e laico, sou agnóstico. Não é o anti-clericalismo que me move. É a memória e a coerência, a dignidade e a decência. Além do respeito pela genuína fé dos outros. EPC dirá que é «aquela ponta de demagogia que faz o encanto» das minhas crónicas. Eu digo ao actual Presidente da República que, se avalizar a impostura, será reeleito com votos angariados em Fátima, mas não com o meu. «Est modus in rebus»!
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«Expresso» de 6 de Maio de 2000
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Convém que o zelo e a prosápia destes «cristãos novos» da política e do jornalismo verdadeiramente livres - que descobriram tarde a «sociedade aberta» e a «democracia pluralista» - não misturem alhos com bugalhos, nem procedam desonestamente a alguns amálgamas, como nos tempos (não muito recuados) em que pensavam e agiam segundo os dogmas maoístas compilados num «pequeno livro vermelho», execrável e pindérico. Não abusem do vosso arrependimento, por mais genuíno e sincero que ele seja! Como diz Horácio nas suas «Sátiras»: «est modus in rebus». Tudo deve ter a sua conta e medida.
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Serve isto para deixar bem claro que, o que eu critico não é o facto de um Presidente da República participar, enquanto tal, em celebrações religiosas que constituam manifestações públicas de fé em Deus (ou em qualquer outra divindade). O que eu critico é a sua participação numa cerimónia pública de consagração de uma rematada impostura obscurantista, que foi utilizada pelo Estado Novo e pela Igreja Católica portuguesa como arma de arremesso contra a democracia. É isto que está em causa e não a fé em Deus.
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Aliás, não percebo porque é que se condena com tanta desenvoltura, sem qualquer apelo nem agravo, as exacções e excessos cometidos pelos «jacobinos» durante a I República e se aceita tão prazenteiramente a consagração pública dessa escandalosa manipulação configurada nas «visões», «aparições» e «milagres» de Fátima. Para os «jacobinos», a «cova dos leões». Para os «beatos», a Cova da Iria. Há «neutralidade» nisto? Claro que não! Também não consigo lobrigar qual é a diferença essencial que existe entre a exploração da crendice popular levada a cabo pela IURD (que critiquei publicamente no momento oportuno) e esse autêntico negócio de milhões em que se transformou a exploração da crendice popular no Santuário de Fátima. Há «neutralidade» nisto? Claro que não! Mais me custa ainda perceber que alguém (que até nem é um ex-esquerdista arrependido) insulte desabridamente o primeiro-ministro, chamando-lhe «pedaço de carne baptizada» só por ele ser católico, e depois bata palmas, com o mesmo despudor, à presença oficial do Presidente da República na cerimónia de beatificação dos pastorinhos. Há «neutralidade» nisto? Claro que não! Há é um «forte aroma mariano» e um intenso cheiro a sacristia. Será medo do Inferno?
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Os próprios documentos publicados pela Igreja sobre o que se terá passado em Fátima, em 1917, estão cheios de contradições e mentiras mais ou menos pueris e revelam bem a dimensão a que chegou a escandalosa manipulação dos factos e das criancinhas. O propósito claro era o de propagar a fé pelo terror do Inferno, tal como nesse monumento ao horror e ao ridículo que foi a «Missão Abreviada», escrita pelo Padre Manuel José Gonçalves Couto (1819-1897), e muito em voga na época das «visões», «aparições» e «milagres». As descrições do que foi «visto» ou «apareceu» aos pastorinhos, designadamente durante o famoso «milagre do Sol», chega a ser hilariante. Em 13 de Outubro de 1917, Nossa Senhora chegou mesmo a enganar-se: previu que a Grande Guerra acabaria nesse dia e que os soldados portugueses regressariam em breve. Mas a guerra só acabou em 1918, não sem antes os soldados do Corpo Expedicionário Português, colocado na Flandres, terem sido massacrados, em 9 de Abril, na célebre Batalha de La Lys. Dir-me-ão que a verdadeira fé supera tais patetices. Acredito que sim. Mas o Estado não deve avalizar as patetices!
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«Expresso» de 13 de Maio de 2000
O QUE O DEPUTADO PORTUGUÊS Luís Fazenda disse, na Assembleia da República, sobre o senador brasileiro António Carlos Magalhães, sem o mencionar expressamente, não foi nada de mais. Millôr Fernandes, que dispensa apresentações e não é propriamente militante do Bloco de Esquerda, foi mais explícito e contundente, há uma dúzia de anos: «Brasil - desse mato não sai coelho. Sai é jacaré, António Carlos Magalhães, cobra, José Sarney, hiena, Paulo Maluf...». Como Millôr também diz: «Política é a mais antiga das profissões». E António Carlos Magalhães é antiquíssimo na política brasileira. Deu-se bem com todos os regimes, inclusive a ditadura militar. Os brasileiros chamam-lhe «Toninho Malvadeza».
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Impressiona-me a benevolência e, até, a reverência com que vários políticos e jornalistas lusitanos costumam tratar alguns «dinossauros excelentíssimos» que sobrevivem às ditaduras e prosseguem as suas carreiras políticas em democracia com a mesma desenvoltura de uma faca a cortar manteiga. O senador António Carlos Magalhães desejava muito que seu filho viesse a suceder a Fernando Henrique Cardoso como Presidente do Brasil, mas o filho morreu. Generosamente, o Presidente Jorge Sampaio condecorou o filho, a título póstumo. Graças ao seu poder e a várias amnistias, «Toninho Malvadeza» passou incólume por entre a acusação de ter cometido vários crimes de abuso de poder e a suspeita de ter mandado assassinar adversários. Certo dia, porém, «respondeu com um simples dedo em riste quando um índio verdadeiro lhe apontou uma seta ao peito em pleno Senado». Isso bastou para que um magno comentador da nossa praça o tenha tratado agora como um político respeitável e tenha comparado a atitude do deputado Luís Fazenda à do índio que apontou a seta. Ora, se «um índio verdadeiro», hoje, já nem é gente, como qualificar então um falso «índio»?!
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Bajulação e temor reverencial, em relação aos poderosos deste mundo e do outro, parece que continuam a aflorar ciclicamente nas circunvoluções da política e do jornalismo lusitanos, 26 anos depois do 25 de Abril. A terceira visita de João Paulo II a Portugal foi reveladora. Fátima continua a pôr muita gente de rastos. A circunspecção é de rigor. Por cá, ainda se acredita na infalibilidade do Papa e são mais incontestáveis as «aparições» de «Nossa Senhora» na Cova da Iria do que as aparições do primeiro-ministro na Assembleia da República. É incómodo e inoportuno remexer na História e na Medicina quando estão em causa os «factos» que fundamentam o «milagre de Fátima» e a «beatificação dos pastorinhos». Os poucos que se atreveram a fazê-lo foram imediatamente acusados de «sectarismo». E só não foram tratados como réprobos e sacrílegos porque, felizmente, a Inquisição já não existe e a Comissão de Censura (ou de Exame Prévio) também não. Mas é bem verdade que, como escreveu Fernando Rosas, «entre as coberturas televisivas do passado 13 de Maio e as que se faziam no tempo do Estado Novo, só mudou a cor». Algo está errado - e é lamentável - quando, como observou Mário Mesquita, há jornalistas que se dispõem acriticamente a desempenhar o papel de «oficiantes» e os ecrãs de televisão se transformam em altares.
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Aliás, foi com enorme prudência, resignação e beatitude que por cá se recebeu a «revelação» da inefável «terceira parte do segredo de Fátima». Ao contrário do que sucedeu em Itália, onde foi notória a «desilusão dos intelectuais» e a «perplexidade dos meios eclesiásticos». Trata-se, de facto, de uma autêntica mistificação. Como escreveu Eugenio Scalfari no «La Repubblica», é estranho que «nos segredos revelados pela Bela Senhora aos pastorinhos não haja traça do nazismo» e apenas «se preveja o advento do comunismo». Terá sido por causa das «visões» de Pio XII, o Papa mais reaccionário deste século? A verdade é que, com este «processo de auto-santificação de João Paulo II» (que estará como que a pré-ordenar em vida «o percurso da sua própria beatificação»), a Igreja Católica corre o sério risco de fazer do Concílio Vaticano II letra morta, recuando perigosamente no tempo e na História e trocando o tão proclamado «ecumenismo» por um mais que proverbial «obscurantismo». Será que isso preocupa os intelectuais e os meios eclesiásticos lusitanos?
«Expresso» de 20 de Maio de 2000
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Alfredo Barroso
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terça-feira, abril 14, 2009
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sexta-feira, 5 de dezembro de 2008
Medíocres e mediáticos
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Trata-se de políticos ideologicamente descaracterizados e politicamente untados com a banha mediática (a antiga banha da cobra), cujo único objectivo é fazer carreira a todo o custo e aguentar no poder o tempo suficiente para consolidar contactos e cumplicidades de toda a espécie, tendo em vista «governarem-se» quando deixarem de ser Governo.
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No plano internacional, os casos mais exemplares de oportunismo político compensados pelo poder económico com «tachos» de se lhes tirar o chapéu, são Tony Blair e Gerhard Schroeder, arautos da «Terceira Via» que pôs a social-democracia europeia de rastos. À direita, só o muitíssimo reaccionário José Maria Aznar consegue rivalizar com eles.
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Por cá, como sabemos, só dão cartas os dois partidos que alternam no poder. E os casos mais mediáticos de oportunismo político, económico e social (a cultura não é para aqui chamada) são os dois mais famosos apparatchiks do «bloco central», que controlaram e manipularam os aparelhos do PS e do PSD e ocuparam cargos ministeriais estratégicos o tempo suficiente para consolidarem preciosas agendas de contactos e cumplicidades políticas cruciais que explicam hoje o seu papel de serventuários do poder económico.
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A actual «orgia» da nacionalização dos prejuízos de bancos corruptos ou irresponsáveis, enquanto o povo grama as aflições da crise e a classe média desce aos infernos, dá bem a medida da falta de pudor dos que estão no poder. A ausência de alternativas credíveis dá-lhes a ilusão do poder absoluto. Com arrogância, continuam a desmantelar o Estado com reformas injustas e a fustigar os cidadãos com políticas brutais. Durante quanto tempo mais estes «Catilinas» medíocres e mediáticos abusarão da nossa paciência?!
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Alfredo Barroso
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sexta-feira, dezembro 05, 2008
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quinta-feira, 4 de dezembro de 2008
Governo mente descaradamente
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Alfredo Barroso
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quinta-feira, dezembro 04, 2008
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VI PAULO PORTAS NA TVI, sexta-feira passada, e fiquei impressionado com a forma como arrasou o Governador do Banco de Portugal, com documentos avassaladores e argumentos demolidores.
Em qualquer outro país democrático civilizado, um Governador do Banco Central não teria resistido a acusações tão bem fundamentadas e, por uma questão de decência, ter-se-ia demitido no dia seguinte.
Mas este País é o que é, o Governador goza da protecção do ministro das Finanças (aliás, tão incompetente como ele) e a ambos o Primeiro-Ministro põe-lhes a mão por baixo (como deus faz ao menino e ao borracho).
Curiosamente, o presidente do CDS/PP, Paulo Portas, é, neste momento, o único político de direita que dá sinal de vida e o único dirigente partidário que demonstra que a direita ainda mexe. O PPD/PSD, coitado, continua a pairar no vazio do discurso político incoerente, insensato e sem sentido da sua pobre presidente, Manuela Ferreira Leite.
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quinta-feira, dezembro 04, 2008
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terça-feira, 2 de dezembro de 2008
Literacia financeira
A chave da crise do subprime numa peça inteligente do melhor humor britânico… A não perder.
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Alfredo Barroso
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terça-feira, dezembro 02, 2008
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domingo, 30 de novembro de 2008
Perguntas assassinas
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Os cidadãos anónimos começarão a fazer – em público e em coro – perguntas assassinas a um governo de maioria absoluta, que de socialista só tem o nome, e que, na prática, só protege os senhores do dinheiro, sacrificando os que apenas vivem do seu trabalho.
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Poderão dizer que é demagogia, mas faz todo o sentido perguntar porque é que seria tão prejudicial para a imagem deste país deixar falir o BPP, um minúsculo e ridículo banco que apenas gere fortunas dos muito ricos – especulando sem freio na bolsa – e já não é prejudicial para essa imagem deixar que fechem as portas dezenas de empresas que nem sequer faliram – algumas fecham tão-só para reduzir os custos das multinacionais – e que, assim, lançam no desemprego e na pobreza vários milhares de trabalhadores?!
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Mais: porque é que o Estado saca do dinheiro dos contribuintes para proteger o BPN, banco de vigaristas de alto coturno afogado em burlas de toda a espécie, como se fosse bom para a imagem do país salvar a face de uma instituição corrupta que tem enchido os bolsos de alguns dos mais indignos representantes do chamado «bloco central»?!
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Há limites de tolerância para tão flagrantes injustiças e tanto escândalo. Será que ainda não perceberam que o «capitalismo de compinchas» é uma vergonha e está a ruir?
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domingo, novembro 30, 2008
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quinta-feira, 27 de novembro de 2008
Manuela a estrebuchar no vazio
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quinta-feira, novembro 27, 2008
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Ladram os cães de Pavlov…
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quarta-feira, 26 de novembro de 2008
Resíduos tóxicos do cavaquismo
O CAVAQUISMO EXISTIU, durante dez anos (1985-1995), e alguns dos seus resíduos mais tóxicos ainda hoje infectam a paisagem política portuguesa. Para quem já se esquecera dos escândalos que então rebentavam semanalmente nas primeiras páginas dos jornais, aí estão mais alguns exemplos edificantes que ajudam a refrescar a memória.
Sempre pensei que o cavaquismo era assim uma espécie de salazarismo democrático, em que o seu mentor era um poço de virtudes morais, o seu aparelho político um saco de gatos e boa parte dos seus apoiantes mais firmes e mais ilustres uma cambada de oportunistas e arrivistas em busca de sucesso material rápido e a qualquer preço.
A rigidez autoritária do poço de virtudes morais sufocou o espírito crítico e deu asas ao negocismo infrene como emblema de progresso, afinal efémero e ilusório. A verdade é que o «monstro» nasceu e começou a alimentar-se no seio do cavaquismo e que a «má moeda» prosperou no interior das suas hostes. A memória do povo é que é curta.
Os resíduos tóxicos do cavaquismo perduram. E contaminam todo o «bloco central». Os interesses sobrepuseram-se às ideias e aos programas abrindo a via ao pragmatismo sem princípios e à política sem alma. Nos dois pólos do «bloco central», Belém e São Bento, vicejam os eucaliptos que criam o deserto à sua volta. Por isso não espanta que Manuel Dias Loureiro e Jorge Coelho sejam uma espécie de expoentes do sucesso da coisa.
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Alfredo Barroso
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domingo, 23 de novembro de 2008
«Berlusconis» lusitanos
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Como é que eles conseguiram acumular tão rapidamente pés-de-meia tão grandes, se não à custa dos seus contactos políticos e de um escandaloso tráfico de influências?!
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Guardadas as devidas proporções, seguiram o exemplo de Berlusconi, o barão predador italiano que singrou na politiquice e nas negociatas graças à extraordinária habilidade de vendedor de carros em segunda mão e ao charme de cançonetista de cruzeiro estival.
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Como explicou há um século o grande economista americano Thorstein Veblen, estes barões predadores constituem uma «classe ociosa» que não hesita perante a mentira, a fraude, a falsificação, a manipulação e a corrupção, para acumular lucros especulativos e riquezas improdutivas. A sua divisa é o lema de Ivan Boesky, um dos mais célebres vigaristas a singrar em Wall Street: «Greed is good» («A ganância é uma coisa boa»)!
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O problema é que, como diz o escritor italiano Andrea Camilleri, Berlusconi «limita-se a interpretar perfeitamente o mau humor e o mal-estar das pessoas» e a convencê-las de que, qualquer dia, também podem vir a ser como ele. Em suma, parafraseando Veblen, o que as pessoas desejam é imitar os «Berlusconis» de trazer por casa, numa irresistível atracção pelo exibicionismo, o narcisismo e a afectação típicos da «classe ociosa».
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Ainda há dias vimos um Berlusconi lusitano a tentar justificar em público a sua fortuna, com a arrogância, a displicência e o sentimento de impunidade típicos de um arrivista. Não hesitou em contradizer-se e em mentir. Só lhe faltou cantar o «Only You»!
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Alfredo Barroso
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domingo, novembro 23, 2008
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quarta-feira, 19 de novembro de 2008
MFL e a "graça pesada'’
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Alfredo Barroso
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quarta-feira, novembro 19, 2008
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